Dedicado à Ivone Preciosa, uma grande amiga que tem
duas fanáticas paixões: o Atlético Paranaense e os Bee Gees.
Nestes termos nossa intersecção resulta apenas na presença da
segunda. A outra paixão dela está exatamente para o meu lado oposto,
o infinito negativo. Eu sou green. Red is madness.
Barry Gibb (guitarra e vocal) e os gêmeos Robin Gibb (vocal) e Maurice Gibb (guitarra, baixo, teclado e vocal), formavam os Bee Gees.
Esta música, "How Can You Mend a Broken Heart?", foi gravada em 1971, lançada no álbum Trafalgar. Foi um disco que mostrou aos irmãos Gibb como eles eram mais bem sucedidos como um grupo do que como solistas, pois pouco antes vinham de um processo de separação. A canção os fez alcançar o topo das paradas de sucesso.
O efeito que Barry Gibb conseguia produzir com seu vocal -- pode ser apreciado neste vídeo -- foi inimitável.
O grupo é considerado símbolo de uma época.
Se recordar é viver, revivamos!
[Pelo belo presente, thanks Liz Oliveira. E nós nunca dançamos, hein?!]
[post de ouro]
Cotas para negros: um debate delicado, de Jayme Serva
É fato consumado que além da oportunidade de abordagem dos mais variados temas, os blogues também estão consagrados como mídia alternativa de debate das questões políticas. Engana-se, porém, quem acha fácil levar à tela do computador para o mundo inteiro um posicionamento pessoal sobre o tema, hoje mais do que nunca tão controverso pelo seu poder original de despertar reações. Além do mais, se por um lado as conhecidas mazelas produzem certo desinteresse, por outro a massificação da notícia pelas vias da revolução de acessibilidade à informação, proporcionada pela rede, distribuem a audiência interessada.
Observa-se, no entanto, no caso dos blogues, quem alcança maior sucesso no poder de argumentação. São os blogueiros portadores de razoável bagagem de conhecimentos da história das nossas fases políticas, atentos à dinâmica dos fatos, contumazes leitores de análises, notícias, participativos em outros fóruns e, principalmente, possuidores do equilíbrio exigível na mediação de argumentos dos comentários.
Acostumei-me a gostar mais daqueles que se preocupam em responder as opiniões postadas do que daqueles que, mesmo escrevendo textos bem qualificados, preferem não usar o editor da caixa de comentários para ajudar a alimentar o debate. O leitor que emite uma opinião, quase sempre, espera uma réplica do autor.
Quem há de discordar da importância e da complexidade dos assuntos voltados aos mais graves problemas sociais do país? As cotas para negros em nossas universidades tratam-se de um deles. Acima de todos os argumentos precisos para qualificar uma opinião, tem-se a propriedade específica que este assunto carrega por natureza, ou seja, necessidade do cuidado para com a suscetibilidade que enseja o extravasamento de idéias, justo pelas raízes tão conhecidas do problema racial no Brasil.
Tomando como mote a celebração do 13 de Maio e o julgamento pelo STF de duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma contra a política de cotas nos vestibulares das universidades estaduais do Rio de Janeiro e outra contra o programa ProUni, ações promovidas pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) e apoiadas por 113 personalidades, num texto denominado "113 cidadãos anti-racistas contra as leis raciais", o ilustre Jayme Serva nos brindou com mais uma pérola de texto.
O mais admirável é perceber um posicionamento elogiável em termos de equilíbrio, pois o texto contribui para elucidar uma justificação brilhante, feita uma autêntica terceira via que nos demove do simples e patético dualismo dos radicais contra ou a favor.
Notável o encerramento da sua oração, que tem a virtude de oportunizar uma importante reflexão que se reabre nos comentários dos leitores:
"Não se pode mais manter, sob o manto de uma pretensa democracia racial, uma segregação surda. O sistema de cotas, com coragem para implementar e hora para acabar, pode ser um encurtamento no caminho da igualdade de oportunidades e, portanto, do próprio desenvolvimento do Brasil" (grifo meu).
Meu posicionamento não é contra qualquer mecanismo que incentive a entrada na Universidade, independente de raça. As cotas como se apresentam hoje não resolvem o problema nem momentaneamente nem em longo prazo, mas é urgente oferecer, de alguma forma que seja (transitória), uma sistemática de recuperação que ao menos tente dar por algum tempo a possibilidade que é de direito, até que políticas abrangentes definam estratégias justas. O mais urgente é resolver a corrosão inegável em que vive a estrutura do ensino, desde o seu início. Até que alcancemos o patamar ideal usemos cotas, mas com a lucidez tão bem apresentada pelo autor: com a tal coragem e prazo de solução. Nenhum governo construirá nada importante neste particular se não trabalhar com data de entrega da obra. Este, porém é o maior desafio: a obra não é a cota, é a distribuição de renda, a saúde, a educação, o emprego...
Por tudo que o texto nos acrescentou, inclusive pelo raro poder de mudar opiniões e a virtude de oferecer a replicação do assunto em outros blogues, a exemplo d'O Biscoito Fino e a Massa, do não menos mestre das palavras Idelber Avelar, tenho o imenso prazer de destacá-lo com o "Post de Ouro" nº. 4.
O debate continuará, tenho certeza. E sempre no mais alto nível. Parabéns Jayme!
[justiça, poderes e imprensa]
Comportamentos não convencionais
FATO 1
Ontem, na Folha de São Paulo [Opinião, A2], o editorialista Fernando de Barros e Silva comentou sobre a absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, em reformulação de sentença promovida pelo Tribunal do Júri do Pará. Ele havia sido condenado a 30 anos de prisão pelo envolvimento no assassinato da irmã Dorothy Stang, em 2005.
Assim como a discussão sobre a imagem da justiça brasileira em âmbito doméstico ou fora dele, chama a atenção um conjunto de dados da Pastoral da Terra sobre o histórico paraense no conflito agrário. Entre 1971 e 2007, contabilizam-se 819 vítimas fatais. Desses crimes, apenas 92 resultaram em processos, dos quais apenas 22 foram ao Tribunal do Júri; 6 mandantes foram condenados e nenhum deles está preso.
O Doutor Gilmar Mendes, presidente do STF, que reagiu inclusive à manifestação do presidente Lula, não vê motivos para tanta indignação.
FATO 2
Há mais de ano um grupo de artistas formado por Christiane Torloni, Victor Fasano e Juca de Oliveira lutou para divulgar a causa amazônica visando coletar um milhão de assinaturas em manifesto – Amazônia para Sempre - contra o desmatamento, para que o documento pudesse ser transformado em reivindicação popular passível de ser levado à apreciação do Congresso Nacional.
Nesta luta, na qual se envolveram outros artistas, blogueiros e populares (eu mesmo recebi diversos e-mails de amigos e desconhecidos), só foi possível atingir o número necessário de adesões depois de muito esforço. Apesar de iniciativa pessoal, é de se considerar o poder de mídia dos cabeças do movimento para comentar que nem assim foi fácil alcançar o primeiro objetivo.
FATO 3
Na mesma edição da Folha, no Painel do Leitor, Moacyr Castro, de Ribeirão Preto-SP, pergunta se a imprensa fará o mesmo estardalhaço que fez no caso Isabella ou será imparcial quanto à acusação de Rosemar de Fátima Órfão, 26, contra o namorado por incendiar a casa onde estavam as duas filhas dela, de cinco e dois anos, que morreram carbonizadas. A tragédia aconteceu na madrugada do último sábado (10.05), em Paraguaçu-MG.
"MERGE" DOS FATOS
É preciso que se diga que a crítica de Lula à decisão da Justiça tem sim sua razão de ser. Até mesmo sem levar em consideração a ocorrência de fatos no executivo que já foram objetos de censura por parte do STE, é de se entender que cabe ao presidente da república este direito. Afinal, quanto mais seu pensamento represente a síntese dos anseios populares, mais próximos estaremos do conceito legítimo do regime democrático.
Por outro lado, é paradoxal o sentido inverso que nos oferece o fato de quando um clamor popular conseguido com tamanho esforço não receba qualquer manifestação ou simples referência da parte do executivo. Mais lamentável se torna ao se visualizar que ambos têm uma relação comum. O conflito agrário do Pará tem suas raízes na política deficiente de preservação da Amazônia. Todavia é de se poupar o presidente, já que o segundo caso diz respeito mais especificamente a alguém de direito que deveria estar, no mínimo, acompanhando o nível de aspirações da sociedade e exercendo zelo. Podem me informar onde anda Dona Marina Silva? Ela ainda é Ministra do Meio-Ambiente?
Neste caldo talvez seja possível encontrar a resposta mais provável para a questão do leitor paulista. Certa vez, referindo-se à necessidade de um projeto uníssono de educação para o país, o Senador Cristóvam Buarque citou o Banco do Brasil. Ilustrou que nosso ensino deveria ser como o atendimento daquela instituição que, onde quer que seja, em qualquer lugar do país, é sempre igual. Está faltando o mesmo à nossa Justiça.
Indubitavelmente, se assim fosse, haveria menor preocupação com o sensacionalismo típico da imprensa. Eis que não mais seria questão de imparcialidade – julgamento desapaixonado, mas sim de omissão no seu valor jurídico - ato ou efeito de não fazer aquilo que moralmente se devia fazer.
Dedicado especialmente à Leila e todos os meus amigos que
já não podem mais contar com a presença carinhosa das suas mães.
[UPDATE | 09.05.08 - 18:43] - Aos que a tem, perto ou longe, e às que são mães, desejo um domingo
diferente, coroado de felicidades.
O escritor americano Mark Salzman tinha por hobby tocar violoncelo. Prestava um trabalho voluntário lecionando para jovens prisioneiros de alta periculosidade, um programa coordenado pela freira Janet Harris, na Casa de Detenção Juvenil de Los Angeles.
Certa vez, ao saber do hobby do professor, ela o convidou a se apresentar para os detentos. Mark ainda tentou demovê-la da idéia, contando sobre a última vez que tocou para um grupo de crianças, numa comemoração de aniversário. O aniversariante chutara o espigão do violoncelo chamando de coisa ridícula. Para aquelas crianças, só um acordeão conseguia ser pior.
Alegou ainda que a situação poderia ficar insustentável com os presos ao ter que incluir música clássica no programa. Mesmo assim não conseguiu convencer a religiosa, que, confiante, afirmava sobre o comportamento diferente daqueles meninos.
No dia da apresentação, enquanto aguardava na sala do capelão, próxima ao local onde tocaria, Mark se assustou ao espiar por uma porta lateral qual o tipo de show que rolava lá dentro. Era um grupo de hip-hop que divertia os detentos, inclusa na banda uma garota vestida de curtíssimo jeans, com uma blusinha que revelava todo poder do seu umbigo naquele ambiente lotado de carências.
Assustou-se e passou a imaginar o que teria de enfrentar após o fim daquela sessão. Enquanto meditava não viu irmã Janet entrar. Imediatamente, ao ser tocado pela presença dela, tentou outra vez argumentar que não seria boa idéia, acrescentando ao sentimento a cena que acabara de presenciar. Recebeu da freira o incentivo traduzido pelo conselho que era preciso ter fé.
Quando o show acabou e Mark adentrou ao palco, estava tão nervoso que tropeçou no tablado. Evitou a queda porque usou o instrumento como um bastão de esqui, batendo com o espigão no tablado e rodopiando na direção da platéia em silêncio. Ato seguinte, ao se recompor, recebeu dos meninos uma sonora gargalhada geral seguida por intensos aplausos.
Depois de instalado, para tentar o domínio da audiência, começou a contar que quase tudo no violoncelo um dia tinha sido parte de um organismo vivo. A parte da cabeça era feita de abeto; a de trás com manchas tipo pêlo de tigre, de bordo; o braço, de ébano; o arco, de pau-cobra com cordas de rabo de cavalo; e que as peças de marfim vinham de um mamute preservado na tundra congelada por dezenas de milhares de anos. Quando alguém toca este instrumento, disse, é como se esses objetos fossem trazidos de volta à vida.
Falou aos garotos que a primeira peça que tocaria seria "O cisne", de Camille Saint-Saens, que sempre que executava o fazia lembrar da sua mãe. Surpreso com a qualidade acústica do lugar, Mark empolgou-se no início, mas certo burburinho vindo da platéia o fez novamente pensar que precisaria criar um fato novo. Quando olhou para a audiência e viu uma sala repleta de garotos com lágrimas caindo rosto abaixo, ele ganhou confiança e tocou o restante da peça como nunca conseguira em toda sua vida. Quando terminou, os aplausos foram efusivos. Confessa que foi o sonho de um violoncelista medíocre transformado em realidade.
Para próxima peça escolheu uma sarabanda de uma das suítes de Bach. Recebeu como prêmio nova saraivada de palmas. Logo em seguida ouviu um grito da platéia: "Toque de novo outra sobre mães." Mark entendeu imediatamente que fora sua menção materna que os havia atingido no âmago.
Voltou a tocar "O cisne", mais um tanto de Bach e "O cisne" pela terceira vez. Quando um homem de peruca, já visto quando chegara, lhe acenou lá da porta para dizer que seu tempo havia acabado, os internos o vaiaram. E brindaram Mark com um aplauso final concedido respeitosamente de pé.
Ao folhear uma revista antiga e ler esta história, no início da semana, considerei-a uma benção, pois na verdade achei este post. Diante do mar de sentimentos que nos aflora por ocasião da data que comemoraremos no próximo domingo, diante do conjunto sagrado de valores que representa a maternidade, nada mais preciso escrever. Quando se trata desta figura insubstituível em nossas vidas, o gesto de agradecê-la pelo que representa em nossa existência é maior que escrever o mais puro e belo poema ditado pelo coração.
Domingo abraçarei minha mãe. Como se minha mão fosse um arco afagarei seus cabelos como se estes fossem as cordas de um violoncelo. Quando beijar seu rosto será como ler uma partitura. E quando disser que a amo mais que tudo, soará como "O cisne". Serei um simbólico violoncelista medíocre, mas farei isto em singela homenagem a todos os meus amigos que sentenciados pelos desígnios foram privados da presença das suas mães. Certamente também haverá uma lágrima, mas senti-la rolar em meu rosto será a certeza da gota de consolo que minha solidariedade é capaz de transmitir.
Quando respondi à chamada na primeira aula de Física no antigo curso Científico (equivalente ao 2º ano do atual segundo grau), em 1970, tive certeza que aquele cidadão alto, magro, calvo, bigodudo e de grossas lentes esverdeadas merecia respeito. Meu avô paterno conhecia bem Dr. Nilo Lázaro Abud, engenheiro de formação e membro de família de comerciantes também envolvida na política. Já havia me dito que era um cidadão inteligente, espirituoso e exigente.
Éramos garotos em época conturbada, sofrendo influências diretas e indiretas dos costumes da ditadura, cujos seis anos já tinham sido suficientes para mudar o nível de exigência e controle exercido pelas instituições mais próximas, como a família e a escola. Por conseqüência, vivíamos a rebeldia em pleno auge.
Dr. Nilo tinha postura militar, embora a ideologia provinda da militância "emedebista" fosse conhecida. Durante dois anos em que fiquei submetido às suas aulas não descobri como era seu sorriso, não o vi conversar com ninguém em tom menos sério e tampouco lembro de alguém despreocupado na classe às vésperas dos dias de provas bimestrais. As aulas mais pareciam a representação de um monólogo escrito por gente difícil de ser entendida, como Einstein, Newton e Maxwell, diante de uma platéia tomada pelo silêncio absoluto.
Aquele homem era inatingível, não passível de questionamentos. Olhava-nos com desconfiança e superioridade por detrás daquelas lentes encarregadas de omitir o conhecimento coletivo da sua alma. Sim, pois é pelos olhos que se consegue penetrar nos recônditos de um ser humano. Assim, foi um personagem distante até completarmos o segundo grau.
No ano em que nos formamos a Lei 5692 já havia mudado o aparato educacional. Dali em diante o magistério, mesmo em caráter suplementar, só poderia ser exercido por profissionais titulados para o mister.
Qual foi a surpresa quando fiz a matrícula no curso de Matemática, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras? Eu e outros da turminha do Científico seríamos colegas de turma do Dr. Nilo Abud, naquele tempo acolhido sem prestação de exame vestibular por já ter título superior em área compatível.
A primeira vontade foi mudar de curso, nem que a decisão custasse ficar um ano sem estudar e me preparando para outro vestibular. Se assim tivesse resolvido teria perdido a chance única de convivência por longos anos com uma das pessoas mais interessantes que conheci na vida.
Como colega o agora "professor" Nilo nos proporcionava momentos mágicos de troca de conhecimentos, experiência acadêmica, puro sarcasmo e convivência excelente. Servia-se do nosso saber em disciplinas que compunham o ciclo básico, matérias comuns a todos os cursos da área e lecionadas durante o primeiro semestre. Exigia tratamento equânime dos mestres que já o conheciam de longa data, não faltava às obrigações das presenças nas aulas, inclusive aos sábados, e nos aconselhava nos momentos de "fervos" do Diretório Acadêmico.
Além de tudo era a ponte com a direção da Faculdade, o porta-voz das nossas reivindicações.
Ás vezes desabilitava os óculos para dar a esperada oportunidade de conhecermos os segredos do verdadeiro olhar. Era, no fundo, uma pessoa doce, boníssima e principalmente humilde. Descobrir o íntimo da sua personalidade foi como assistir a queda antecipada do muro de Berlim. Ou, para ser mais coerente com aquele nosso tempo, antecipar a Anistia.
Graças a tal episódio no ensino do Brasil, o doutor Nilo Abud deve ter vivido os melhores anos da sua vida, pois era normal sentí-lo como um jovem igual a nós, participando intensamente dos momentos e aspectos da vida acadêmica. Mesmo extravasando com sua excepcional espiritualidade em ocasiões não formais manteve-se como referência.
A comissão de formatura, em 1974, o escolheu como orador do curso. No dia da cerimônia encerrou o discurso com um pensamento exemplar que todos os demais colegas certamente guardaram. Embora minha inaptidão para repetir com literalidade suas palavras, o sentido ficou absorvido.
Foi algo como "somente a convivência em condições de igualdade proporciona o entendimento das nossas fraquezas e do potencial coletivo. Hoje somos professores, mas continuemos alunos da vida comprometidos em alcançar o certificado maior, qual seja o atingimento pleno da potencialidade cidadã. Para tanto, estejamos convencidos da nossa responsabilidade como arquitetos de um novo tempo, capazes de projetar a felicidade dos filhos desta terra com uso daquilo que aprendermos a fazer através da sagrada missão de ensinar".
A partir daquela noite festiva o Doutor Nilo, hoje de saudosa memória, definitivamente mudou seu título para Professor Nilo Lázaro Abud.
Nas muitas vezes em que o encontrei depois da formatura ele retirava os óculos e estendia um sorriso, para fraternalmente perguntar sobre mim e minha família, contar uma bela piada, relembrar passagens pitorescas, oferecer um abraço carinhoso e seguir. Fazia isto com todos.
O que me levou a contar esta história foi a vontade de dividir uma velha descoberta, a certeza que podemos aprender as teorias com os mestres, mas a prática tem o caráter salutar de ser melhor absorvida com a ajuda das grandes amizades.
robô no evento "Streetwise Robots" em Londres, no Reino Unido
Foto: Andy Rain/EFE
Portal UOL
Nesta versão pós-moderna do paraíso não pode haver condenação do caráter evolutivo da ciência. O pecado ultrajante, não menos original, agora pode estar no subterfúgio do agrotóxico...
O domingo foi de decisões por todo o Brasil. No Rio, um jogaço deu o bi-campeonato ao Flamengo diante do Botafogo. E como se fosse um replay da primeira partida, Obina foi o herói. O Fla perdia por 1 x 0, resultado que levava a decisão para os penais. Ele entrou e decidiu, marcando dois belos gols. Um iluminado. Parabéns Fernando Cals.
Em São Paulo o Palmeiras moeu a Ponte por 5x0 e quebrou um jejum de 12 anos sem ser campeão paulista. Valdívia fez um gol antológico. Comemoremos Valter Ferraz.
Em Porto Alegre o Inter passou da conta. Humilhou o Juventude com direito até a gol de goleiro batendo penalti para selar a contagem incrível. 8 x 1 não é para qualquer um e nem a qualquer hora. Milton Ribeiro deve estar nojento!
Na Bahia o Vitória ganhou no saldo de gols (um golzinho só!), em um campeonato onde quatro tinham chances na última rodada.
E aqui em Curitiba deu COXA. Mesmo perdendo por 2 x 1 para o Atlético Paranaense, na Arena da Baixada (casa do adversário), o glorioso alviverde do Paraná, o mais querido, o eterno campeão, confirmou a nossa mais nova divertida mania: fazer festa no "meio-estádio". Repetimos 2004. A nota triste deste jogo foi novamente a figura do Sr. Petraglia, presidente do "patético paranaense". Este senhor, para que saibam todos, é um resto que ainda sobrevive das idéias e comportamentos repugnantes dos anos de chumbo da ditadura no Brasil. Em afronta ao que determinou a Federação Paranaense de Futebol, ao intervir quanto à sua "determinação" de proibir a comemoração do título no Estádio, inclusive para receber o troféu e medalhas, manteve a "ordenança" e proporcionou um dos gestos mais antidesportivos do ano. [leia aqui a menção de Juca Kfouri ao assunto, em "Não há limites para o ridículo"]
O Coxa abriu o Estádio Couto Pereira, chegou lá em carros dos Bombeiros depois de carreata vitoriosa pela cidade, e recebeu o troféu aclamado por sua torcida que compareceu em peso, como se fosse um novo jogo. Coisa linda.
No fundo Petraglia já sabia que seu time era incompetente para reverter o resultado da partida anterior, quando tinha levado 2x0 no Alto da Glória. Que receba dos seus "Fanáticos" o reconhecimento pelo vice-campeonato. Para segundo lugar não interessa troféu.
Ah, o gol Coxa foi marcado por Henrique Dias. Como Obina, no Fla x Bota, ele entrou no segundo tempo e, da mesma forma que tinha feito em Recife, ao final da Série B no ano passado, marcou o gol salvador que "calou" os falacianos do "patético" rubro-negro de Petraglia. Parabéns à nação Coxa.